ForeverMissed
Este Memorial foi criado em homenagem a João António Silveira mais conhecido por "Sr. Vinagre", que a sua memória dure para sempre.
Este tributo foi publicado por ALZIRA SOBREIRO em 30 de maio de 2020
O Senhor Vinagre tinha o carisma de uma personagem que se dava pelos outros. Assim, naquela época de sessenta, onde mais o recordo, conseguiu reunir a juventude, num grupo heterogéneo das classes trabalhadoras, e algumas crianças, nas quais me incluia num grupo folclórico.Foi tal o sucesso que mesmo com a escassez de transportes, das freguesias vizinhas vinham assistir aos desfiles e ás festas populares. Era um homem de bem. Sábio a orientar e a extrair de cada um aquilo que melhor tinha para oferecer. Merece todo o meu respeito, e gratidão.Fez-me crescer como pessoa.
Este tributo foi publicado por João M. Mendonça em 29 de maio de 2020
Também o Grupo Coral e Dançante de São Miguel d'Acha beneficiou da participação deste Homem como seu acordeonista!
Bem haja!

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Este tributo foi publicado por ALZIRA SOBREIRO em 30 de maio de 2020
O Senhor Vinagre tinha o carisma de uma personagem que se dava pelos outros. Assim, naquela época de sessenta, onde mais o recordo, conseguiu reunir a juventude, num grupo heterogéneo das classes trabalhadoras, e algumas crianças, nas quais me incluia num grupo folclórico.Foi tal o sucesso que mesmo com a escassez de transportes, das freguesias vizinhas vinham assistir aos desfiles e ás festas populares. Era um homem de bem. Sábio a orientar e a extrair de cada um aquilo que melhor tinha para oferecer. Merece todo o meu respeito, e gratidão.Fez-me crescer como pessoa.
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Também o Grupo Coral e Dançante de São Miguel d'Acha beneficiou da participação deste Homem como seu acordeonista!
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Percurso

Memorial

JOÃO ANTÓNIO SILVEIRA (VINAGRE)
Idanha-a-Nova 9Dez1919 - Almada 7Dez1971

João António da Silveira, que viria a ser conhecido por João António da Silveira Vinagre, nasceu em Idanha-a-Nova, a 9 de Dezembro de 1919, filho de Frederico Silveira, comerciante, proprietário de um Talho, e de Antónia da Conceição Vinagre.

Graças ao seu espírito arrojado, com apenas 14 anos de idade, em 1933, abriu por conta própria a Barbearia Mimosa, onde se veio a tornar o 1º Cabeleireiro de Senhoras da Idanha.

Casou com Maria Vitória Moreira Forte, filha dos Comerciantes Jaime Moreira, Sapateiro e Músico, e de Conceição de Jesus Forte, proprietária de uma Taberna, tendo tido 3 filhos: Raul Forte da Silveira, Maria Gracinda Forte da Silveira Pinto da Silva e, João Carlos Forte Silveira.

Para além de Mestre Barbeiro, devido ao seu gosto pela música e, dotado de um dom especial que lhe permitia tocar qualquer instrumento músical, dedicou toda a sua vida a criar, apoiar e promover grupos músicais, corais e até de teatro, que lhe permitiam divulgar os bens etnofolclóricos da sua amada Idanha.

Fez parte da Direcção do CUI - Clube União Idanhense, da Direcção da Banda Filarmónica da Idanha, onde o seu Sogro Jaime Moreira foi Maestro, criou os Coros Infantis das Escolas da Idanha, foi o Agente da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses para o Concelho da Idanha e, foi o principal organizador, impulsionador e ensaiador do Rancho Folclórico de Idanha-a-Nova, que na sua 1ª saída a Lisboa, ao Concurso Nacional de Ranchos Folclóricos, em 1969, no Coliseu dos Recreios, teve logo um lugar de destaque, tendo alcançado a sua 1ª Taça.

O seu amor à sua Idanha ficou patenteado também também na sua colaboração na manutenção das tradições idanhenses, pois foi mais de uma vez festeiro das festas em honra do Divino Espírito Santo.

Não havia actividade cultural onde não estivesse envolvido na região, e até fora dela. Por onde passou, especialmente Covilhã e Covas, em Terras de Bouro, deixou as suas raízes e influências, tendo-se envolvido em todo o género de grupos culturais.

Em 1950 trocou a sua Barbearia pelo trabalho nas Finanças, nas Contribuições e Impostos, que o levou primeiro para terras da Covilhã e, depois, para Terras de Bouro, tendo voltado à Idanha em 1956. A sua actividade como Barbeiro manteve-a sempre, aplicando-a uma vez por mês, a um Sábado, em que montava uma cadeira no seu quintal e, munindo-se dos seus instrumentos, cortava o cabelo ao seu filho mais novo, aos amigos do mesmo que o acompanhassem e a quem lhe pedisse.

Testemunho de Joel Pina, viola-baixo, que acompanhou Amália Rodrigues por todo o mundo:
"- O João António da Silveira Vinagre foi sempre uma pessoa da minha estima e consideração. Quando eu era rapaz novo, nas minhas idas a Idanha, para ramboiadas, o ponto de encontro era na sua barbearia que ficava, no Largo da Praça, junto do antigo edifício da Câmara que infelizmente foi demolido. 
Aí ensaiávamos. Eu tanto tocava bandolim, como guitarra ou viola e ele, por vezes, tocava acordeão, mas o seu instrumento preferido era a guitarra. 
Costumava também tocar connosco o José Ramos. Algumas das vezes, aparecia lá na barbearia o Cristiano e o Eurilo a assistir aos nossos ensaios. 
Era certo que a seguir, íamos beber uns copos ao Café do Carriço, que ficava ali perto da Igreja. Depois de animados, íamos tocar serenatas à porta das raparigas. Eram tempos de verdadeiro e são convívio que, naturalmente, recordo com muita e muita saudade. 
Nesses tempos, esteve na Idanha, durante muito tempo a Companhia de Teatro Rafael de Oliveira e foi então que conhecemos o Tony de Matos, que começou a cantar connosco.
Moram em mim as melhoras recordações desse amigo, desse músico de valor, que sempre estava disposto a ser prestável à sua terra e aos que lhe pedissem um favor."
Testemunho de José Pereira Alves:
"- Ainda me lembra que o João António entre os inúmeros dons musicais que tinha, ainda possuía o dom de versejar. Era um poeta popular e criava, no momento versos, alusivos aos donos e donas das casas a quem cantávamos as Janeiras. 
Outra faceta importante da sua acção na vida social idanhense e na manutenção das nossas tradições era dar, sempre que podia, resposta afirmativa aos convites para que, tocando violino ou acordeão, animasse os bailes, no final das fainas agrícolas, nomeadamente no fim da colheita da azeitona, da descamisa, ou nos da amassadela, nos do dia do casamento, na serenata aos noivos e nos outros bailes que a juventude organizava.
Ele era o ensaiador e o principal impulsionador do Rancho Folclórico. Naquele tempo era difícil organizar um Grupo de Folclore. Era preciso pedir a cada um dos pais, em especial aos das raparigas. Tinha que se manter muito respeito e ser o ensaiador pessoa de confiança, ser pessoa muito séria. Daí reconhecer-lhe um grande mérito.
O João António estava sempre disposto a fazer fosse o que fosse, desde que fosse a bem da Idanha. Era só pedir-lhe.
Em 1962, por iniciativa de outro dinâmico idanhense António Soares organizaram-se Teatros a favor da nossa Filarmónica. O João António Silveira, eu, o Jorge Pita e o José Ramos Constantino fizemos parte do Conjunto Musical que actuava, nos intervalos das peças de teatro, preenchendo-os com um acto de variedades musical. 
Recorda-me ainda que ele colaborou, no Salão Paroquial, num Espectáculo de Fados e Guitarradas que organizei para a compra dos bancos da nossa Igreja Matriz, com artistas da nossa terra, nomeadamente, o Frederico Vinagre, seu sobrinho, a Ascensão Martins, o António Pereira Jorge, a Isabel Monteiro e outros que agora não me recordo do nome. Os instrumentistas foram: o João António e eu, à guitarra, e à viola, o José Ramos Constantino.
Era um homem fora de série. Na minha opinião, era um verdadeiro amigo do seu amigo, um músico considerado e apreciado, um homem bom e prestável, sempre pronto a organizar e a colaborar em iniciativas a bem do progresso da nossa Idanha."

Faleceu a 7 de Dezembro de 1971, vitima de enfarto do miócardio, no Hospital de Santa Maria e, foi para a sua última morada, o Cemitério de Almada, no dia dos seu aniversário, a 9 de Dezembro de 1971, acompanhado de todos os seus familiares e amigos, e um autocarro cheio de gente que, da Idanha, se deslocaram a Almada para o seu funeral.

O seu Museu Virtual pode ser visitado em: https://www.facebook.com/joaocsilveira/media_set?set=a.1608862587513&type=3

Histórias recentes

À porta da formosa Barbearia Mimosa

Partilhado por João Carlos Silveira em 29 de maio de 2020
Há retratos, que nos roubam a vista deixando-nos de olhos arregalados, acesos pela magia dedicada às recordações doutros tempos. Olhares de espanto. O coração desprevenido quer saltar cá para fora com o alvoroço das figuras fotografadas (tão sumidas). É impossível que eu deixe escapar tudo o que há para ver nessas fotos: bisavós acarcoujados, amigos tão familiares da nossa casa, cavaladas de romeiros, convívios de artífices. São as imagens das memórias que se tornam nos instantes de cada um de nós.

 - E este, quem é? - O retrato, com setenta anos, desvela o comércio de tradição idanhense, o qual morrerá tempos depois.

Dois homens e um cachopo dos seus quinze anos são apanhados à porta da formosa Barbearia Mimosa.

Dois painéis, enquadrados em molduras de madeira com tampas de vidro, estão dependurados da parede onde se expôem horários, preçários de fazer a barba e de cortar o cabelo, novidades úteis aos clientes.

Reconheço o barbeiro e o aprendiz. Envergam casacas alvíssimas, apropriadas à profissão. Muito me admira a pose do homem engravatado, o qual veste casaco preto e camisa branca. Tem boné de pala à militar. O desconhecido não é da minha alimbrança.
- Quem pode ter sido? - As mãos agarram em bilhetes de lotaria e maços de cautelas soltas. Os pés alinham-se com a câmara fotográfica. A bigodaça disfarça-se de meio sorriso, em perfil. Só por isso vale a pena arriscar, às apalpadelas, o nome do fulano. tenho a certeza. É a figura do cauteleiro daquela época: o senhor cabo Silva, vendedor da sorte grande. Conheço-o já velho, estropiado e a mancar no Largo de Nossa Senhora do Rosário. Ele tem a cabeça azoinada pelos desgostos conjugais. Lembro-me de o ouvir a falar muito alto e do rapazio o gozar de palanque repetindo a frase:
- É cabo e não manda nada! - É cabo e não manda nada!
- Quem cospe pró ar! Quem cospe pró ar! - Replica o cabo Silva a bater palmas e a dar estalos com os lábios. Renega o mando da tropa-fandanga. Faz-se moita. Assobia aos cães enrolados no baturel da Mar Cristina. Ele anda a dar facho atraído pela música de vanguarda. Alguém lhe diz que o espírito do jazz entra à solta pelo alumiar da porta da Barbearia Mimosa. O entusiasmo pela improvisação musical liberta-lhe tempo e prende-lhe ideias: a popularidade da Filarmónica Idanhense, a Glenn Miller AAF Orchestra do exército americano na Europa, a fauna ávida de surpresas à custa dos sons característicos de concertos de jazz.

Porto, 14 de Outubro de 2014
Fernando Morão
in o jornal "Raiano"

O Ponsul Jazz

Partilhado por João Carlos Silveira em 29 de maio de 2020
Deve ter sido bastante divertido assistir-se à génese do agrupamento Ponsul Jazz, ao estilo preferido da década dos anos 40. É boa! O grupo pinta a manta na Barbearia Mimosa, a qual se situa na loja da senhora Andreia. O cauteleiro toca barimbau só nos ensaios. Faz vibrar a lingueta de ferro, entalada entre os dentes, com o dedo indicador da mão direita. Com alguma surpresa, aquele lambão apregoa a receita:
- Compra a sorte, ò João António.

Pois bem, sorte é o ambiente sonoro oferecido pela Barbearia do senhor João António, que é folclorista (regente do rancho etnográfico) e acordeonista de gema. No plano instrumental, é autodidacta, mas é um virtuoso do acordeão. Dotado de raro talento para a música, mostra-se criativo tanto nos acordes, como na técnica de composição. Quando toca o Corridinho da Mar dos Santos, quer meças com a rainha (Eugénia Lima). Como dinamizador musical de coturno, mete-se em tudo. Ele é capaz de pôr a juventude em marcha quer nos arraiais e nos balhos, quer nas modas de roda e nos teatros populares. No acordeão, carrega emoções fortes da band-jazz, que parecem ouvir-se sempre pela primeira vez. O cabo silva encarrapitcha-se na cadeira da barbearia, quando entram, um a um, os músicos que completam o sexteto de jazz; à frente, o Zéi Ramos Constantino (o Caixa), que é multi-instrumentista e o melhor baterista idanhense, é uma máquina de fazer swing. O nosso cabo, que anda ranhido com alguns filarmónicos, fica embezerrado pela chegada do Manuel Vinagre (alfaiate e saxofonista) e do Tónho Requinta (sapateiro e clarinetista).

E quer saber: 
- Ei-lha lá. ò João António, quem são os do trombone? - Julgo que são o Jquim Vinagre e o Jquim Barroso. o grupo, que improvisa músicas cuja sensação de beleza salta aos olhos, prepara-se para sair bem na fotografia: veste-se ao jeito de músicos afro-americanos (calças pretas vincadas e blusas de chifom vermelho com golas altas).

Chega o momento histórico. O senhor retratista, consciente do acto de fotografar, ajeita as poses dos fotografados aos eu olhar. Evita estratagemas de repetição. Antecipa-se ao juízo da posteridade.

Eu nunca me canso de ouvir a música de jazz que há naquele retrato. 

Porto, 14 de Outubro de 2014
Fernando Morão
in o jornal "Raiano"

Estrelas cadentes

Partilhado por João Carlos Silveira em 29 de maio de 2020
História da Maria Rita Santos Nunes