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Vida de Eulália

Notas biográficas


Foi no ano de 1919 e no dia 11 de Fevereiro, em Camatôa, que nasceu Eulália de Jesus Castelhano Maurício.

A localidade de Camatôa está localizada na comuna do Lombe, perto do rio Kuíge, Município de Cacuso, Província de Malange.

Filha de António Maria de Jesus Castelhano e de Isabel António Sebastião, foi baptizada com o nome da sua avó paterna; Eulália de Brito.
Filha primogénita e xará da mãe do seu pai, teve deste o privilégio da sua especial atenção.

O seu pai dedicou-se à exploração agrícola, pecuária e comércio, mas também era um amante da caça. Por isso, criada no contexto do tempo e espaço em que viveu, era conhecedora destas lides, tendo aprendido de tudo. Fez-se hábil nos lavores, mas não deixou de aprender a tratar de outras tarefas do lar em ambiente rural, ao que não era estranho o abate de animais, inclusive os de grande porte e o aproveitamento de tudo que os hábitos domésticos induziam e a indústria artesanal fazia uso. Aprendeu também a utilizar diversas espécies vegetais para tratamento traumatismos e de mal-estar ao nível do lar. Fazia-nos sentir que havia sempre uma erva, uma planta, muitas vezes cultivada no nosso quintal, para ou alívio do sintoma ou mesmo cura de enfermidades.

Sendo estas as áreas geográficas onde o seu pai desenvolveu a sua actividade económica, na infância e juventude, conheceu bem as localidades do Lombe, Memba, Cota, Duque de Bragança (Kalandula) e mais tarde a cidade de Malange.

Deixa-nos a memória de ter sido excelente esposa e companheira e de ter gerido o seu lar de modo irrepreensível, enquanto mãe e educadora ou ainda nas relações com os seus familiares e amigos.

Senhora de princípios, teve pulso firme, mas era afável e conciliadora.
Com ela aprendemos, com o exemplo da sua resiliência, a lutar pela vida, a ser pacientes e complacentes, mas não apenas contemplativos, conformados ou displicentes. A conhecer os limites do que ambicionar e a definir o limite do que consentir, a respeitar e fazer-nos respeitar.

Casou-se com Manuel Francisco Maurício em Malange, 1944 e depois de quatro anos o casal mudou-se para Luanda, instalando-se definitivamente.
Seis dos seus oito filhos nasceram em Luanda, cidade que viu crescer e a desenvolver-se, assim como cresceu e desenvolveu a sua família que hoje agrega mais quatro gerações; filhos, netos, bisnetos e trisnetos, que apesar de serem muitos tiveram o seu amor e carinho sem limites, sem observar limites, ainda que exigissem de si sacrifícios.
Ficou viúva aos 74 anos e parte deste mundo com 101, para deixar de sofrer, porque lhe faltou saúde nos últimos anos de vida, mas nunca virtudes.