ForeverMissed
Histórias de Padre Mário

Uma bela homenagem da sua afilhada

Partilhado por Manuel Subtil em 24 de setembro de 2020
Esta homenagem da sua afilhada, Bianca Subtil, tem de ficar para sempre registada...

Padre Mário Duarte nunca será esquecido

Partilhado por Manuel Subtil em 24 de setembro de 2020

Mensagem do padre Mário Duarte nos tempos de confinamento

Partilhado por Manuel Subtil em 24 de setembro de 2020
Como estão os tomarenses a conviver com a pandemia do Covid 19? O desafio foi por mim lançado a diversas pessoas, entre elas, o nosso saudoso amigo PADRE MÁRIO DUARTE...

Padre Mário Duarte, deixou o seu testemunho em abril do corrente ano, recordemos a sua magnífica mensagem:

“O Manuel Subtil, sempre curioso, não fosse ele jornalista, pediu-me que falasse do mundo novo que, como todos, estou a viver.

Começo por dizer que faço tudo para não me deixar enrolar no passado, porque quero continuar a voar para a frente.

O Coronavirus veio revirar a vida toda. Sentimo-nos atordoados. Temos a impressão que este vírus veio meter tudo em causa e a certeza de que nada será como antes do Covid-19.

Sinto o coração estremecer quando vejo as notícias que relatam a dor de tantos milhões de pessoas pelo mundo fora.

O mundo carrega hoje uma Cruz pesada e esta Cruz ganha uma dimensão nova e de profundo significado na Quaresma que se aproxima do seu termo.

A Cruz deve ser para mim, e para todos os cristãos, sinal de esperança, sinal de misericórdia, sinal de vida. Neste período particular da nossa existência, não tenhamos medo da Cruz nem tenhamos medo do seu peso.

Não posso aceitar a ideia de que não aguento, que não vou conseguir ultrapassar esta crise que nos roubou a paz e o sossego.

A força tem de vir daquilo que ainda me sobra quando tudo o resto parece ter sido levado por uma espécie de ciclone que se abateu sobre nós.

Acredito que muitos pensávamos que já tínhamos encontrado o nosso lugar ao sol. Provavelmente muitos de nós já tínhamos esquecido que a vida é como uma criança malcomportada. Contraria. Desassossega. Levanta-se cedo aos domingos e não quer saber se estamos a descansar. Não dá tréguas. Não se cansa nem adormece. E aí, quando as olheiras nos deformam o olhar, onde vamos buscar a força que não temos? Ao lugar onde não tínhamos procurado. Ao único lugar onde faz sol quando todos os outros lugares estão alagados de chuva. Ao lado certo do coração. Nesse lado certo está Deus.

Este tempo tem-me ajudado a entender que a vida, na verdade, se compadece pouco das nossas vontades. Este é o tempo para perceber que a vida não se coíbe de nos agarrar pelos colarinhos e dizer que quem manda é ela.

Eu tenho sido um daqueles que tem sempre pressa. Com tanta pressa até parecíamos uma espécie de tempestades ambulantes. Tínhamos consciência que viver é uma grande dádiva e que cada pessoa é única. Mas não tínhamos tempo suficiente para nós e para aqueles que amamos e aqueles a quem queremos bem.

Sinto que o covid-19 me obrigou a desligar dos sons do mundo para ouvir melhor o batimento do meu próprio coração. Este tempo está a ajudar-me a ouvir o meu próprio respirar para assim entender que tudo em mim pode falhar. Agora que estou mais parado, olho melhor para mim e sinto o valor da minha vida. Ao olhar mais para mim mesmo, penso nas pessoas e nas actividades de todos os dias e, ao pensar em tudo isto, convenço-me de que sou merecedor de uma nova oportunidade. Porém, tal oportunidade só será possível se todos colaborarmos uns com os outros.

Este é um tempo propício para aceitar o que está a acontecer, para me aceitar como sou, para me reconciliar com Deus, comigo mesmo e descobrir que o meu futuro é feito com perdões do meu passado. O meu passado construiu-me, mas não me finalizou. Por isso, tenho de lutar, com todos os outros muitos milhões de pessoas iguais a mim, porque não posso permitir que o Coronavirus nos dê por terminados, quando ainda temos milhares de milhas à nossa frente.

Tenho-me dedicado mais às comunicações, tenho escrito e lido mais. A leitura e a escrita
são armas mais fortes do que qualquer grito.

Este é um tempo que não podemos ignorar. Temos de parar para depois seguirmos, juntos, no caminho certo. Os dias parecem passar mais devagar e nenhum é igual ao que já se despediu. Não podemos deixar-nos dominar pelo medo. Temos de acreditar que as melhores coisas são sempre as que estão para chegar porque todas as outras já passaram.

Quero encontrar resposta para a pergunta que agora me faço: o que é que eu quero que não passe de dentro de mim quando tudo isto que estamos a viver tiver passado?

Esta pergunta faz eco no meu coração quando penso no bem que tantas pessoas boas, tais como médicos, enfermeiros, bombeiros, farmacêuticos, transportadores de produtos essenciais, forças de segurança, funcionários dos lares e apoio domiciliário e todo o tipo de voluntários que, de tantas maneiras diferentes, dão testemunho do amor de Deus. Toda esta gente, e todos quantos com eles colaboram, estão a deixar uma marca no mundo, muitos deles ao ponto de sacrificarem a própria vida. São anjos sem asas. Servem. Protegem. Marcam presença. Eles são os anjos que qualquer um de nós precisa mais do que nunca.

Em jeito de conclusão posso ainda referir que tenho vivido com a normalidade possível. Dado que a minha mãe está comigo sinto-me responsável por ela. Por isso procuro cumprir as recomendações que a DGS nos propõe;
Celebro a missa diária que a rádio hertz, a rádio cidade de Tomar e o Facebook da paróquia transmitem e, deste modo, sinto-me em profunda comunhão espiritual com a comunidade que, graças a estes meios de comunicação, se alargou para além das limitações geográficas do nosso concelho de Tomar.

O que escrevi só foi possível porque o tempo que estamos a viver me facilita no meu estado de introspecção. Este é um tempo bom para perceber melhor o meu eu e o meu papel neste mundo. Quem sabe se na correria que levava, à mesma medida do mundo à minha volta, não preferi ignorar ou fugir de tanta coisa só porque não tinha tempo.

A vida é um verdadeiro mistério, mas os mistérios vão-se resolvendo. Não são resolvidos à nossa maneira, mas vão-se resolvendo. Deixemos que o Deus da vida nos conduza. Confiemos n’Ele. Não silenciemos os nossos pensamentos. Falemos com Deus e partilhemos com a família e os amigos. Não silenciemos as nossas dúvidas. Confessemo-las ao Pai do Céu. Não silenciemos os nossos medos. Procuremos o regaço da Mãe de Deus e nossa Mãe.
Quero aproveitar este tempo para, a partir do isolamento das comunidades que sirvo, continuar a caminhar em vista da verdadeira plenitude.

Peço a Deus que abençoe o Manuel Subtil, a sua família e todos os corajosos que eventualmente passarem os olhos por este testemunho. Não será fácil mas, porque agora temos mais tempo, acredito que alguém consiga...
Paz, saúde, serenidade e confiança no coração de cada um de nós...e de todos!

Um concelho em lágrimas disse adeus ao padre Mário Farinha Duarte

Partilhado por António Freitas em 22 de setembro de 2020
Um concelho em lágrimas disse adeus ao padre Mário Farinha Duarte

Com apenas 60 anos de idade e trinta de pároco- Mário Farinha Duarte natural da Portela dos Bezerins- Sertã faleceu na noite de quarta-feira, 19 de Agosto, com uma pancreatite. O padre Mário tornou-se ainda mais conhecido da comunidade, quando em 2010 o Bispo de Santarém D. Manuel Pelino Domingues,  o nomeia vigário da paróquia de Tomar, depois do primeiro bispo da Diocese de Santarém D. António Francisco Marques o ter escolhido, para paroquiar as paróquias de Além da Ribeira, Alviobeira e Casais, em 1995 e onde esteve 15 anos, depois de ter regressado da sua missão na África do Sul e ter feito o serviço militar obrigatório em Tomar. Com 35 anos na altura  Mário Duarte desenvolveu para além do seu trabalho pastoral inovador e agregador dos jovens, um trabalho de um “padre arquitecto” “um padre das obras”  e impulsionou obras nas igrejas de Portela da Vila e anexos com capela mortuária de raíz, centro social novo, capela das  Lapas e outras obras que a todos nos deixava de “boca aberta” pela sua capacidade de ir buscar apoios, conseguir ajudas e unificar o povo em torno dos objectivos. Em Alviobeira a velha Igreja de S. Pedro mais ano menos ano caía o telhado e arranca com obras que transformam a igreja e  quase que faz uma igreja de raíz. Dizia muitas vezes “ tinha ficado mais barato destruir o que havia, deixar só a torre sineira e fazer uma igreja nova” muros do adro, e um centro paroquial com salas de catequese, logo seguem as obras da igreja. O Mário não parava. Outras obras que de momento não me vêem à memória.  Quando não tinha dinheiro, inventava forma de o conseguir e se “colava” ao poder político da altura, e a pessoas influentes para projectos aprovados e verbas estatais. Miguel Relvas na altura era o seu grande suporte e até aos EUA foram buscar apoios dos emigrantes. Capela mortuária dos Calvinos nova mercê de uma candidatura e a igreja de Casais, recuperada após um grande incêndio, mereceu a sua grande intervenção, com grandes criticas de alguns paroquianos na  altura, pois deitou abaixo, rebocos e pavimento e transformou a “casa da palavra de Deus”  numa igreja à imagem de um templo ou por assim dizer uma catedral. Muitas vezes para incentivar a “rapaziada” a dar a força do seu trabalho, se metia ao volante de uma camionete, indo buscar materiais da construção civil, ou dando mesmo serventia a pedreiros. O padre nascido e criado numa família muito pobre e  numerosa, também sabia vestir o fato de trabalho e certamente teria sido o trabalho duro nos pinhais que o esperava se quando frequentava a quarta classe  não tivesse passado um padre na sua terra e deixado a direcção do seminário no quadro da escola.

Escreveu para lá sem os seus pais saberem. Com o apoio da família entrou no seminário da Consolata de Coimbra e foi nessa ordem que foi ordenado.

Porém confessava que sempre teve três vocações: jornalista, advogado ou padre e chegou  a estar várias vezes fora do seminário mas regressava sempre. Dizia que foi padre aos 30 anos mas que andou indeciso em constituir família e ter quatro filhos, metade do que teve os seus pais.

Após a sua nomeação para vigário de Tomar em 2010, mostrou na cidade do Nabão a sua outra paixão  a de “jornalista”, mas muito critico para o poder eleito pelo povo e usou o altar, muitas vezes para atacar, quem estava eleito pelo voto, em plena missa. Não era perfeito nem santo, assumia-se como um pecador, mas  porém sabia perdoar, nunca se incompatibilizava com ninguém, a todos falava, rico ou pobre, independentemente da sua profissão ou condição social e em Tomar conheceu “meio mundo” do concelho, foi um humanista e ganhou muitas simpatias e mediatismo e como é normal, alguns inimigos e “algumas guerras” como quando manda para o Museu Diocesano de Santarém, que se estava a formar,  os quadros da Igreja de S. João do mestre Gregório Lopes. Mas o povo, no seu todo, estava sempre ao seu lado e  por isso, quando parte repentinamente, num ano assolado por uma pandemia mundial, a cidade ajoelha-se junto do seu caixão, colocado no chão da Igreja de Santa Maria, onde cavaleiros templários foram sepultados e,  filas enormes de quase 500 metros durante muitas horas do povo, conhecido e anónimo, passou defronte, onde jazia paramentado de padre, visto através do vidro transparente e as lágrimas corriam pelos rostos de tanta tanta gente. E quando o caixão, trazido a ombros pelos seus colegas padres, do altar para o carro funerário,  após duas missas por dois bispos, da diocese de Santarém ( D. Manuel Pelino e D. José Traquina)  grandes salvas de palmas se ouviram, na despedida de um grande homem, o confidente, o ombro amigo de palavras que tocavam a alma e o coração que o ouviram durante anos e o estimavam, rumo à Igreja da Sertã, onde em 1990 foi ordenado e depois, o eterno descanso em  campa rasa no cemitério, junto do seu pai. Por muitos anos será recordado, pela sua forma de estar e pela sua personalidade e maneira como exerceu o seu sacerdócio. Os testemunhos da sua vida familiar lidos pelos seus sobrinhos, deram a conhecer a outra face de quem vamos recordar por muitos anos e pensar que afinal como tantas vezes proclamava “ a vida é mesmo uma passagem”

Por tudo o que nos deixa, espiritualmente e em obras físicas e no bem que fez ao próximo só podemos dizer- OBRIGADO!

António  Freitas

JORNALISTA CART PORF 1207 A
Natural de Ceras- Alviobeira e conheceu Mário Farinha Duarte em 1988
PUBLICADO NO CIDADE DE TOMAR E TEMPLÁRIO E DESPERTAR DO ZEZERE e Mundo Português ( edição online)

Vídeo de Homenagem a um homem especial

Partilhado por Paulo Marques em 24 de agosto de 2020
Para um homem especial, a Tomar TV criou este vídeo de Homenagem.

O MIRANTE - Morreu o padre Mário Duarte vigário em Tomar

Partilhado por Paulo Marques em 25 de agosto de 2020
Morreu na noite desta quarta-feira, 19 de Agosto, o padre Mário Duarte, vigário da paróquia de Tomar, aos 60 anos. O pároco estava internado no Hospital de Abrantes desde 15 de Julho com uma pacreatite. Mário Duarte fez o noviciado em Itália, estudou Teologia em Inglaterra e foi missionário na África do Sul na altura da transição do regime de apartheid para a democracia. Experiências que sempre encarou de mente aberta. Há 25 anos assentou em Tomar e o seu trabalho é elogiado e considerado inovador.

Foi distinguido com o Prémio Personalidade do Ano de O MIRANTE na área da Cidadania em 2010.

Em entrevista a O MIRANTE, em 2011, contava que a sua brincadeira favorita com os irmãos, amigos e vizinhos era celebrar casamentos e fazia sempre o papel de padre. Era a sua brincadeira favorita. Quando frequentava a quarta classe passou um padre na sua terra e deixou a direcção do seminário no quadro da escola. Escreveu para lá sem os seus pais saberem. Com o apoio da família entrou no seminário da Consolata de Coimbra nesse Verão.

Mas sempre teve três vocações: jornalista, advogado ou padre. “A vida é um caminho e este percurso é cheio de dúvidas, incertezas, inquietudes e interrogações. Cheguei a estar várias vezes fora do seminário mas regressei sempre. Cada vez gosto mais de ser padre. Sempre joguei entre estes binários: ser padre ou constituir família e ter quatro filhos, metade do que teve o meu pai”, confessou, entre risos, a O MIRANTE em 2011, acrescentando que quando decidiu ser padre fê-lo livremente.

O pároco afirmava que não o chocaria se um dia a igreja decidisse que os padres poderiam casar. No entanto, revelava, no seu caso, ter uma família seria limitativo por estar dedicado de alma e coração à comunidade.

Benção dos Tabuleiros em 2019 pelo Padre Mário Duarte

Partilhado por Paulo Marques em 25 de agosto de 2020
O Padre Mário na Benção dos Tabuleiros durante o cortejo dos rapazes

Mensagem do Município de Tomar

Partilhado por Tomás Duran em 25 de agosto de 2020
O Município de Tomar lamenta o falecimento do padre Mário Duarte e endereça à família as suas condolências. Para além de vigário, o padre Mário era uma pessoa envolvida na comunidade e estimada pela mesma, cujo desaparecimento precoce é uma perda notória para o concelho. 
(foto de Manuel Subtil)

Memórias de uma celebração de 2013

Partilhado por Paulo Marques em 24 de agosto de 2020
Primeira comunhão celebrada pelo Padre Mário Duarte

Festa dos Tabuleiros

Partilhado por Paulo Marques em 4 de setembro de 2020
Entrevista à Tomar TV sobre a festa dos tabuleiros

Promoção da Festa dos Tabuleiros

Partilhado por Paulo Marques em 4 de setembro de 2020
Promoção da Festa dos Tabuleiros pelo Padre Mário Duarte

Muito Popular

Partilhado por Paulo Marques em 26 de agosto de 2020
O Padre Mário Farinha Duarte apesar do seu cargo e responsabilidade era muito próximo dos seus paroquianos e muito popular.

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