ForeverMissed
Se conheceu ou conviveu com o Padre Mário, contribua para este memorial com a sua homenagem, relato ou com uma pequena história do quotidiano que ilustre quem foi o Padre Mário Duarte. Este Memorial permanecerá para mostrar às futuras gerações a vida deste grande homem.
Este tributo foi publicado por Maria Teresa Nunes em 23 de setembro de 2020
O meu tributo é apenas um agradecimento ao Pe Mário por tudo aquilo que fez por todos nós e por mim, nas conversas que tive com o Pe Mário, pelos conselhos e ensinamentos pelos insentivos. Pela oração que sei que fez por mim no momento menos bom da minha vida. Por tudo o que fez pela vigararia de Tomar Obrigado Pe Mário.
Este tributo foi publicado por António Freitas em 22 de setembro de 2020
Opinião

A MEMÓRIA do Padre Márioque deve ser perpetuada

Fez no dia 19 de Setembro, 30 dias do falecimento do Padre Mário. Pelo seu trabalho ao longo de 25 anos que esteve entre nós nas paróquias de Além da Ribeira/Alviobeira/Casais e depois de 2010 a 2020 em Tomar, merece, para além de todos os testemunhos, noticias e o que se vier a editar sobre a sua vida e obra ( e aqui a edição de um livro faz sentido com a devida autorização da família) a meu ver, a sua passagem terrena, pelas nossas terras e a forma como nos “fez movimentar” e as obras que apareceram, se bem que fosse avesso a homenagens, nomes de ruas ou estátuas e até flores nos funerais, a sociedade civil, ou seja nós todos em consonância com os Conselhos Pastorais e juntas de freguesia, de pelo menos as duas freguesias ( que antes eram 3) nas quais referiu, tantas vezes “que foi aqui nestas freguesias rurais que me senti feliz e realizado” devem perpetuar a sua memória. Em Alviobeira temos, um “escondido” painel de azulejos, que lhe foi feita a surpresa e realizado sem ele saber, mas Alviobeira deve atribuir ao Salão Paroquial o nome : SALÃO PAROQUIAL PADRE MÁRIO FARINHA DUARTE” inscritos na sua fachada a letras em relevo de metal, já que foi graças à sua persistência e lutando contra as críticas de alguns velhos do Restelo, em que este escriba se pode englobar, depois de muito dinheiro, investido para nos dar uma Igreja completamente nova e que acabaria por ruir, fez este Salão logo de seguida, e que é um orgulho para quem vai de visita e de uma utilidade inquestionável e tantas vezes dizia ”quando eu me for embora as obras cá ficam”. Dar um nome de rua, dado a falta de arruamentos sem nome, na área de Alviobeira e retirar uma denominação para dar outra não faz sentido, como não faz sentido, bustos, ou estátuas.
Em Além da Ribeira/Portela da Vila sugiro que o Salão Paroquial e de Festas lhe seja dado o seu nome. Esta era a freguesia ou paróquia pela qual nutria um amor incondicional, pelas suas gentes: laboriosas, nada críticas e muito humildes. Estes são os factos e os testemunhos que ia transmitindo.
E nos Casais?
Nos Casais onde teve a ousadia de numa igreja reconstruida após os incêndios de 1991 e dedicada pelo Sr. Bispo D. António Francisco Marques em 1993 ( dois anos após a sua chegada) teve a coragem e enfrentando criticas duras de todos os quadrantes, de meter mãos à obra e antes do virar do milénio, a transformar e remodelar completamente. Aqui dado a mesma estar num local com largo que engloba o edifício da Junta, a Cáritas e a Casa Paroquial onde viveu 15 anos e que fez obras totais, para ter o conforto que necessitava, aqui neste largo a requalificação do mesmo a meu ver, passava por um grande mural, desenhado por um arquitecto amigo deste nosso padre, ou um jovem formada nas escolas de arquitectura que ele baptizou e, há nesta terra, este largo merecia um mural com painel de azulejos, pintado por artistas de arte da pintura que retractasse, o homem, o padre, o amigo. Poderia ser a sua imagem nas três procissões destas paróquias, a admirar as obras que fez, e retratando as três igrejas e os dois salões paroquias, a capela das Lapas, a capela de Ventoso, a casa mortuária dos Calvinos, a capela da Póvoa e suas salas de catequesse; ou seja uma combinação perfeita, que sem necessidade de legendas, perdurasse nos tempos e durante a nossa vida terrena e de gerações futuras os ícones das três paróquias, em termos de obras, aliado à sua vida sacerdotal e lançando um concurso de ideias a quem se dignasse desenhar e depois passar ao azulejo, numa área de 7 metros ( que são os dias da semana) por dois de altura, mural esse adornado com obras de arte de artistas de cantaria da terra, já que o Padre Mário foi um arquitecto sem ter estudado arquitectura.
Esta seria a nossa homenagem ao HOMEM, e custeada por dinheiro de recolha do povo, pois foi no seio do povo que conseguiu grande parte do dinheiro das obras que mandou realizar. Neste adro da Igreja, há espaço no topo nascente, para edificar este memorial, caso a minha simples ideia, faça sentido ou inspire que nos sentemos à mesa, pensemos e que façamos a obra nascer, pois como ele sempre nos disse “ o caminho faz-se caminhando”
Para quem vier a seguir e por aqui passar, daqui a 20, 30 anos e quando a sua memória se esvair, nas nossas gerações que iremos partir, se questione: que mural é este e quem foi este homem?
Este homem foi um padre que partiu jovem e que marcou gerações e deixou OBRA FEITA e aqui desenhada na arte da azulejaria!
Esteve entre nós nos nossos meios rurais durante 15 anos. O seu envolvimento foi umbilical. E em entrevista referiu "
Foi necessário trabalhar muito em termos de erguer estruturas físicas. Não existiam salas de catequese nestas paróquias. Nas três paróquias, ao longo destes anos, devemos ter feito obras de dois milhões de euros. Começamos por reconstruir a Igreja de Alviobeira, depois a de Além da Ribeira e a de Casais. Há muita obra feita e só tenho a agradecer a generosidade das pessoas. Tivemos alguns apoios, cerca de 90 mil euros do governo central, mas tudo o resto foi conseguido à custa de festas, peditórios ou lotarias"
Esteve sempre envolvido nessas iniciativas, foi o
padre que pensou e que deu a alma e referia " A construção mais importante não é a dos espaços, é a da própria comunidade. Isto envolve uma dedicação total às pessoas. Sempre me senti parte de cada uma das famílias que habitam naquelas paróquias. Foram eles que me alimentaram ao longo destes anos todos. Não faço comida. Convites nunca me faltam. Só tenho pena de não poder responder a todos"
Ou seja foi nestas três paróquias que foi mais FELIZ pois em Tomar as suas obras começaram a sentir-se e algumas causaram grande polémica no seio da sociedade como restauro da Capela S. Gregório ou obras na fachada Igreja S. João, dado serem monumentos nacionais, mas fez obras a nivel espiritual dignas como reviver procissões que estavam esquecidas do Enterro Senhor, e outras. Porém foi nestes três nossas paróquias que mostrou o seu valor a sua personalidade e que levou D. Manuel Pelino - bispo da diocese a nomeá-lo vigário da Paróquia de Tomar mas in solidum com as nossas paróquias que nunca deixou de acompanhar

António Freitas
Este tributo foi publicado por Tomás Duran em 25 de agosto de 2020
Foi com profunda tristeza que tomei conhecimento do desaparecimento físico (e prematuro) de um dos rostos que mais tocava os tomarenses e os jovens em particular.
O Padre Mário era, para mim, a pessoa que melhor sabia desconstruir a mensagem da igreja para a explicar aos jovens que conhecia pelas salas das escolas de Tomar.
Com ele não havia espaço para tristeza. Em cada contacto e cada conversa havia sempre alegria e um toque de humor que lhe era característico.
Entre nós houve sempre uma amizade muito leal e positiva. Recordo-me das conversas que tive com ele, do que ri com ele e da força que dava a mim e aos jovens da Tomar TV para que nunca desistíssemos.
Ele não desistiu e agora pode finalmente ocupar um lugar que lhe é devido.
Soube hoje que Tomar lhe agradeceu bem. Só podia ser assim.
Obrigado Padre Mário.

Sérgio Aleluia
Tomar TV

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Este tributo foi publicado por Maria Teresa Nunes em 23 de setembro de 2020
O meu tributo é apenas um agradecimento ao Pe Mário por tudo aquilo que fez por todos nós e por mim, nas conversas que tive com o Pe Mário, pelos conselhos e ensinamentos pelos insentivos. Pela oração que sei que fez por mim no momento menos bom da minha vida. Por tudo o que fez pela vigararia de Tomar Obrigado Pe Mário.
Este tributo foi publicado por António Freitas em 22 de setembro de 2020
Opinião

A MEMÓRIA do Padre Márioque deve ser perpetuada

Fez no dia 19 de Setembro, 30 dias do falecimento do Padre Mário. Pelo seu trabalho ao longo de 25 anos que esteve entre nós nas paróquias de Além da Ribeira/Alviobeira/Casais e depois de 2010 a 2020 em Tomar, merece, para além de todos os testemunhos, noticias e o que se vier a editar sobre a sua vida e obra ( e aqui a edição de um livro faz sentido com a devida autorização da família) a meu ver, a sua passagem terrena, pelas nossas terras e a forma como nos “fez movimentar” e as obras que apareceram, se bem que fosse avesso a homenagens, nomes de ruas ou estátuas e até flores nos funerais, a sociedade civil, ou seja nós todos em consonância com os Conselhos Pastorais e juntas de freguesia, de pelo menos as duas freguesias ( que antes eram 3) nas quais referiu, tantas vezes “que foi aqui nestas freguesias rurais que me senti feliz e realizado” devem perpetuar a sua memória. Em Alviobeira temos, um “escondido” painel de azulejos, que lhe foi feita a surpresa e realizado sem ele saber, mas Alviobeira deve atribuir ao Salão Paroquial o nome : SALÃO PAROQUIAL PADRE MÁRIO FARINHA DUARTE” inscritos na sua fachada a letras em relevo de metal, já que foi graças à sua persistência e lutando contra as críticas de alguns velhos do Restelo, em que este escriba se pode englobar, depois de muito dinheiro, investido para nos dar uma Igreja completamente nova e que acabaria por ruir, fez este Salão logo de seguida, e que é um orgulho para quem vai de visita e de uma utilidade inquestionável e tantas vezes dizia ”quando eu me for embora as obras cá ficam”. Dar um nome de rua, dado a falta de arruamentos sem nome, na área de Alviobeira e retirar uma denominação para dar outra não faz sentido, como não faz sentido, bustos, ou estátuas.
Em Além da Ribeira/Portela da Vila sugiro que o Salão Paroquial e de Festas lhe seja dado o seu nome. Esta era a freguesia ou paróquia pela qual nutria um amor incondicional, pelas suas gentes: laboriosas, nada críticas e muito humildes. Estes são os factos e os testemunhos que ia transmitindo.
E nos Casais?
Nos Casais onde teve a ousadia de numa igreja reconstruida após os incêndios de 1991 e dedicada pelo Sr. Bispo D. António Francisco Marques em 1993 ( dois anos após a sua chegada) teve a coragem e enfrentando criticas duras de todos os quadrantes, de meter mãos à obra e antes do virar do milénio, a transformar e remodelar completamente. Aqui dado a mesma estar num local com largo que engloba o edifício da Junta, a Cáritas e a Casa Paroquial onde viveu 15 anos e que fez obras totais, para ter o conforto que necessitava, aqui neste largo a requalificação do mesmo a meu ver, passava por um grande mural, desenhado por um arquitecto amigo deste nosso padre, ou um jovem formada nas escolas de arquitectura que ele baptizou e, há nesta terra, este largo merecia um mural com painel de azulejos, pintado por artistas de arte da pintura que retractasse, o homem, o padre, o amigo. Poderia ser a sua imagem nas três procissões destas paróquias, a admirar as obras que fez, e retratando as três igrejas e os dois salões paroquias, a capela das Lapas, a capela de Ventoso, a casa mortuária dos Calvinos, a capela da Póvoa e suas salas de catequesse; ou seja uma combinação perfeita, que sem necessidade de legendas, perdurasse nos tempos e durante a nossa vida terrena e de gerações futuras os ícones das três paróquias, em termos de obras, aliado à sua vida sacerdotal e lançando um concurso de ideias a quem se dignasse desenhar e depois passar ao azulejo, numa área de 7 metros ( que são os dias da semana) por dois de altura, mural esse adornado com obras de arte de artistas de cantaria da terra, já que o Padre Mário foi um arquitecto sem ter estudado arquitectura.
Esta seria a nossa homenagem ao HOMEM, e custeada por dinheiro de recolha do povo, pois foi no seio do povo que conseguiu grande parte do dinheiro das obras que mandou realizar. Neste adro da Igreja, há espaço no topo nascente, para edificar este memorial, caso a minha simples ideia, faça sentido ou inspire que nos sentemos à mesa, pensemos e que façamos a obra nascer, pois como ele sempre nos disse “ o caminho faz-se caminhando”
Para quem vier a seguir e por aqui passar, daqui a 20, 30 anos e quando a sua memória se esvair, nas nossas gerações que iremos partir, se questione: que mural é este e quem foi este homem?
Este homem foi um padre que partiu jovem e que marcou gerações e deixou OBRA FEITA e aqui desenhada na arte da azulejaria!
Esteve entre nós nos nossos meios rurais durante 15 anos. O seu envolvimento foi umbilical. E em entrevista referiu "
Foi necessário trabalhar muito em termos de erguer estruturas físicas. Não existiam salas de catequese nestas paróquias. Nas três paróquias, ao longo destes anos, devemos ter feito obras de dois milhões de euros. Começamos por reconstruir a Igreja de Alviobeira, depois a de Além da Ribeira e a de Casais. Há muita obra feita e só tenho a agradecer a generosidade das pessoas. Tivemos alguns apoios, cerca de 90 mil euros do governo central, mas tudo o resto foi conseguido à custa de festas, peditórios ou lotarias"
Esteve sempre envolvido nessas iniciativas, foi o
padre que pensou e que deu a alma e referia " A construção mais importante não é a dos espaços, é a da própria comunidade. Isto envolve uma dedicação total às pessoas. Sempre me senti parte de cada uma das famílias que habitam naquelas paróquias. Foram eles que me alimentaram ao longo destes anos todos. Não faço comida. Convites nunca me faltam. Só tenho pena de não poder responder a todos"
Ou seja foi nestas três paróquias que foi mais FELIZ pois em Tomar as suas obras começaram a sentir-se e algumas causaram grande polémica no seio da sociedade como restauro da Capela S. Gregório ou obras na fachada Igreja S. João, dado serem monumentos nacionais, mas fez obras a nivel espiritual dignas como reviver procissões que estavam esquecidas do Enterro Senhor, e outras. Porém foi nestes três nossas paróquias que mostrou o seu valor a sua personalidade e que levou D. Manuel Pelino - bispo da diocese a nomeá-lo vigário da Paróquia de Tomar mas in solidum com as nossas paróquias que nunca deixou de acompanhar

António Freitas
Este tributo foi publicado por Tomás Duran em 25 de agosto de 2020
Foi com profunda tristeza que tomei conhecimento do desaparecimento físico (e prematuro) de um dos rostos que mais tocava os tomarenses e os jovens em particular.
O Padre Mário era, para mim, a pessoa que melhor sabia desconstruir a mensagem da igreja para a explicar aos jovens que conhecia pelas salas das escolas de Tomar.
Com ele não havia espaço para tristeza. Em cada contacto e cada conversa havia sempre alegria e um toque de humor que lhe era característico.
Entre nós houve sempre uma amizade muito leal e positiva. Recordo-me das conversas que tive com ele, do que ri com ele e da força que dava a mim e aos jovens da Tomar TV para que nunca desistíssemos.
Ele não desistiu e agora pode finalmente ocupar um lugar que lhe é devido.
Soube hoje que Tomar lhe agradeceu bem. Só podia ser assim.
Obrigado Padre Mário.

Sérgio Aleluia
Tomar TV
Percurso

Tomar

Há 25 anos, assentou por Tomar onde o seu trabalho é elogiado e considerado inovador.

África do Sul

Foi missionário na África do Sul na altura da transição do regime de apartheid para a democracia.

Inglaterra

Estudou Teologia em Inglaterra.
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Padre Mário Duarte, deixou o seu testemunho em abril do corrente ano, recordemos a sua magnífica mensagem:

“O Manuel Subtil, sempre curioso, não fosse ele jornalista, pediu-me que falasse do mundo novo que, como todos, estou a viver.

Começo por dizer que faço tudo para não me deixar enrolar no passado, porque quero continuar a voar para a frente.

O Coronavirus veio revirar a vida toda. Sentimo-nos atordoados. Temos a impressão que este vírus veio meter tudo em causa e a certeza de que nada será como antes do Covid-19.

Sinto o coração estremecer quando vejo as notícias que relatam a dor de tantos milhões de pessoas pelo mundo fora.

O mundo carrega hoje uma Cruz pesada e esta Cruz ganha uma dimensão nova e de profundo significado na Quaresma que se aproxima do seu termo.

A Cruz deve ser para mim, e para todos os cristãos, sinal de esperança, sinal de misericórdia, sinal de vida. Neste período particular da nossa existência, não tenhamos medo da Cruz nem tenhamos medo do seu peso.

Não posso aceitar a ideia de que não aguento, que não vou conseguir ultrapassar esta crise que nos roubou a paz e o sossego.

A força tem de vir daquilo que ainda me sobra quando tudo o resto parece ter sido levado por uma espécie de ciclone que se abateu sobre nós.

Acredito que muitos pensávamos que já tínhamos encontrado o nosso lugar ao sol. Provavelmente muitos de nós já tínhamos esquecido que a vida é como uma criança malcomportada. Contraria. Desassossega. Levanta-se cedo aos domingos e não quer saber se estamos a descansar. Não dá tréguas. Não se cansa nem adormece. E aí, quando as olheiras nos deformam o olhar, onde vamos buscar a força que não temos? Ao lugar onde não tínhamos procurado. Ao único lugar onde faz sol quando todos os outros lugares estão alagados de chuva. Ao lado certo do coração. Nesse lado certo está Deus.

Este tempo tem-me ajudado a entender que a vida, na verdade, se compadece pouco das nossas vontades. Este é o tempo para perceber que a vida não se coíbe de nos agarrar pelos colarinhos e dizer que quem manda é ela.

Eu tenho sido um daqueles que tem sempre pressa. Com tanta pressa até parecíamos uma espécie de tempestades ambulantes. Tínhamos consciência que viver é uma grande dádiva e que cada pessoa é única. Mas não tínhamos tempo suficiente para nós e para aqueles que amamos e aqueles a quem queremos bem.

Sinto que o covid-19 me obrigou a desligar dos sons do mundo para ouvir melhor o batimento do meu próprio coração. Este tempo está a ajudar-me a ouvir o meu próprio respirar para assim entender que tudo em mim pode falhar. Agora que estou mais parado, olho melhor para mim e sinto o valor da minha vida. Ao olhar mais para mim mesmo, penso nas pessoas e nas actividades de todos os dias e, ao pensar em tudo isto, convenço-me de que sou merecedor de uma nova oportunidade. Porém, tal oportunidade só será possível se todos colaborarmos uns com os outros.

Este é um tempo propício para aceitar o que está a acontecer, para me aceitar como sou, para me reconciliar com Deus, comigo mesmo e descobrir que o meu futuro é feito com perdões do meu passado. O meu passado construiu-me, mas não me finalizou. Por isso, tenho de lutar, com todos os outros muitos milhões de pessoas iguais a mim, porque não posso permitir que o Coronavirus nos dê por terminados, quando ainda temos milhares de milhas à nossa frente.

Tenho-me dedicado mais às comunicações, tenho escrito e lido mais. A leitura e a escrita
são armas mais fortes do que qualquer grito.

Este é um tempo que não podemos ignorar. Temos de parar para depois seguirmos, juntos, no caminho certo. Os dias parecem passar mais devagar e nenhum é igual ao que já se despediu. Não podemos deixar-nos dominar pelo medo. Temos de acreditar que as melhores coisas são sempre as que estão para chegar porque todas as outras já passaram.

Quero encontrar resposta para a pergunta que agora me faço: o que é que eu quero que não passe de dentro de mim quando tudo isto que estamos a viver tiver passado?

Esta pergunta faz eco no meu coração quando penso no bem que tantas pessoas boas, tais como médicos, enfermeiros, bombeiros, farmacêuticos, transportadores de produtos essenciais, forças de segurança, funcionários dos lares e apoio domiciliário e todo o tipo de voluntários que, de tantas maneiras diferentes, dão testemunho do amor de Deus. Toda esta gente, e todos quantos com eles colaboram, estão a deixar uma marca no mundo, muitos deles ao ponto de sacrificarem a própria vida. São anjos sem asas. Servem. Protegem. Marcam presença. Eles são os anjos que qualquer um de nós precisa mais do que nunca.

Em jeito de conclusão posso ainda referir que tenho vivido com a normalidade possível. Dado que a minha mãe está comigo sinto-me responsável por ela. Por isso procuro cumprir as recomendações que a DGS nos propõe;
Celebro a missa diária que a rádio hertz, a rádio cidade de Tomar e o Facebook da paróquia transmitem e, deste modo, sinto-me em profunda comunhão espiritual com a comunidade que, graças a estes meios de comunicação, se alargou para além das limitações geográficas do nosso concelho de Tomar.

O que escrevi só foi possível porque o tempo que estamos a viver me facilita no meu estado de introspecção. Este é um tempo bom para perceber melhor o meu eu e o meu papel neste mundo. Quem sabe se na correria que levava, à mesma medida do mundo à minha volta, não preferi ignorar ou fugir de tanta coisa só porque não tinha tempo.

A vida é um verdadeiro mistério, mas os mistérios vão-se resolvendo. Não são resolvidos à nossa maneira, mas vão-se resolvendo. Deixemos que o Deus da vida nos conduza. Confiemos n’Ele. Não silenciemos os nossos pensamentos. Falemos com Deus e partilhemos com a família e os amigos. Não silenciemos as nossas dúvidas. Confessemo-las ao Pai do Céu. Não silenciemos os nossos medos. Procuremos o regaço da Mãe de Deus e nossa Mãe.
Quero aproveitar este tempo para, a partir do isolamento das comunidades que sirvo, continuar a caminhar em vista da verdadeira plenitude.

Peço a Deus que abençoe o Manuel Subtil, a sua família e todos os corajosos que eventualmente passarem os olhos por este testemunho. Não será fácil mas, porque agora temos mais tempo, acredito que alguém consiga...
Paz, saúde, serenidade e confiança no coração de cada um de nós...e de todos!